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domingo, 29 de maio de 2011

O ASSUNTO É: INCLUSÃO DIGITAL

Inclusão digital: desafios maiores que as simples boas intenções
Carlos Seabra

Os impactos sociais da informática, conquista da ciência e da tecnologia, são capazes de levar a uma transformação maior que a da máquina a vapor. Uma sociedade baseada cada vez mais na troca de valores simbólicos, do dinheiro à informação, vai mudar o eixo da economia, acabar com o conceito atual de trabalho, valorizar mais que tudo o conhecimento e a aprendizagem. Neste cenário, os excluídos serão cada vez mais excluídos - com o poder se concentrando nas esferas virtuais (com profundo controle nas esferas reais) - a não ser que se implementem eficazes e massivas ações para promover sua "inclusão digital".

Na educação, a internet traz um potencial inovador ímpar, pois permite superar as paredes da sala de aula, com a troca de idéias com alunos de outras cidades e países, intercâmbio entre os educadores, nacional e internacionalmente, pesquisa online em bancos de dados, assinatura de revistas eletrônicas e o compartilhamento de experiências em comum. Este novo ambiente de aprendizagem, que não reside mais apenas na escola, mas também nos lares e nas empresas, traz novos desafios para os educadores, mais que nunca chamados a serem facilitadores e motivadores.

Como introduzir as novas tecnologias na escola, particularmente no ensino público, onde tantas outras prioridades se colocam? Estaremos aprofundando cada vez mais a clivagem social se não houver uma efetiva política que garanta o pleno acesso de todos às novas tecnologias. Num mundo em transformação, onde cada vez mais o computador é o veículo de transporte da mente e um instrumento essencial de trabalho, não podemos preparar as novas gerações para um mundo de subalternidade, tanto do ponto de vista individual quanto na perspectiva da nação.

No mundo do trabalho as coisas vão mudar bastante, também. Para quê ir até o escritório bater à máquina, se isso pode ser feito à distância, via modem? Poupando, assim, horas de deslocamento (deslocar a informação, não mais o corpo), a presença familiar mudará substancialmente. Nota-se, nas famílias que usam a internet no teletrabalho em casa, um resgate do ensino do ofício aos filhos. Mudanças, portanto, também no seio da família e do que entendemos por lar.

E o desemprego? Hoje, ao fazermos uma transação bancária no micro de nossa casa, estamos repassando para o usuário o trabalho que antes era feito por um funcionário. Em breve, estaremos comprando carros através de um conexão gráfica com a fábrica que, just in time, fabricará o carro que acabamos de desenhar no terminal. Novos desafios, portanto, para a sociedade. Novas formas de se repensar a distribuição de renda e assegurar o direito de todos os seres humanos à busca da felicidade do contrário, teremos um apartheid tecnológico como nunca visto.

Você é daqueles que nem se lembra em quem votou para deputado nas últimas eleições? Que tal votar agora em um para quem você possa escrever via e-mail e que o coloque a par dos projetos, que seja, enfim, seu representante no parlamento? E o que será do Poder Executivo se cada cidadão puder ter acesso, garantido em Constituição, aos bancos de dados e fizer cruzamentos das informações obtidas? Imagine a nova participação da cidadania se cada pessoa com insônia às duas da manhã for ver como estão sendo aplicados os recursos em sua cidade... O voto será eletrônico, sem boca-de-urna, cada um em sua casa? Novas formas de manipulação da informação irão surgir, é claro, mas o pesadelo que Orwell imaginou em seu "1984" será ao contrário, pois o Big Brother poderá estar sendo vigiado por milhões de olhos...

Carlos Seabra foi coordenador do CIDEC da Escola do Futuro - USP e atualmente é Diretor de Tecnologia do IPSO (Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos).

Artigo originalmente publicado na revista Soluções.

FONTE:  http://cidec.futuro.usp.br/artigos/artigo6.html  em 29/05/2011 às 20:13h

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Algumas obras de Waldomiro de Deus

                               
  A Copa é Nossa                            Enchente                
         
                                       
      Desajuste Social                      Enchente 2                             


                       
      Por um Pedaço                    Quadro  2                          Despoluindo
            de  Pão                                                                        o Tietê

Fonte site oficial do artista:  http://waldomirodedeus1.tempsite.ws/  em 26/05/2011 às 17:25h

O MULTIFACETADO WALDOMIRO DE DEUS

Quem é, afinal, Waldomiro de Deus? Conhecendo seus quadros e sua vida,
encontramos um ser multifacetado. Nasce no interior da Bahia, vem como retirante para São Paulo, torna-se pinbahippie, freqüenta a movimentada Rua
Augusta dos anos 60, viaja à Europa, passa a acreditar em Deus em Israel, mora numa casa enorme com um caixão em Osasco e, acima de tudo, pinta como poucos.

Reconhecido como um dos principais pintores naïfs brasileiros, Waldomiro recebe numerosos elogios de críticos nacionais e internacionais. Suas cores, seus temas, sua simbologia, sua personalidade e religiosidade se entrelaçam e se confundem. Sem escolher tema, tem no cotidiano sua grande matéria, mas também pinta o que não vê, como planetas ainda não conhecidos pela ciência e mesmo astronautas brasileiros na Lua.

Waldomiro não é um artista. é vários. Começou retratando o folclore e passou por foguetes, críticas sociais, planetas, peixes e flores. Há também imagens sensuais e erotismo, assim como pureza e encantamento de namorados. Tudo é motivo para ele exibir uma técnica que aprendeu sozinho, sem nunca ter pisado numa escola de qualquer espécie.


Seu trabalho, talvez não facilmente digerível num primeiro momento, é digno de maior atenção e, se nem sempre agrada, pelo menos incomoda, o que não é pouco no marasmo atual de boa parte da produção cultural brasileira, dominada por tendências que geralmente vêm do exterior e que artistas macaqueiam para atender solicitações de curadores.

Conhecer Waldomiro é mergulhar no universo de um criador que vai de uma Nossa Senhora de minissaia a uma alegórica travessia do milênio com corpos e rostos morenos rumo ao Brasil do ano 2050. Para Waldomiro, a vida é tudo menos estaticidade. Por isso, comporta-se como camaleão. Está sempre mudando.

Porém, enquanto o animal muda para não ser visto no ambiente em que se encontra, fugindo dos predadores, Waldomiro funciona ao inverso. Isso significa que muda antes do meio que o cerca para ser notado. Coloca-se, portanto, na vanguarda, esperando que os que estão ao seu redor o sigam. Teremos essa capacidade?



Autor: Oscar D'Ambrosio
Jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA - Seção Brasil).